Descubra por que o Feedback negativo NÃO existe!

Provavelmente você já deve ter experienciado a seguinte cena: uma pessoa te chama para conversar sobre o trabalho, começa elogiando suas entregas, depois diz que vai passar um feedback – você já imagina que não vai ser algo bom -, fala que não gostou de alguma falha sua, e por fim elogia sua roupa, seu cabelo, algum comportamento e etc.

Esse é o princípio básico do que chamamos de “Feedback Sanduíche”, pois é composto pelo que chamam de “Feedback Positivo + Feedback Negativo + Feedback Positivo”, formando assim uma interposição de camadas de feeds que resultem sempre em um feed “positivo” ao final.

Se você já fez trabalho em grupo, já participou de algum projeto, estagia ou trabalha em algum lugar, provavelmente já deve ter passado por isso. Mas por que nos incomodamos tanto com esses feedbacks?

Acontece que apesar do “Feedback Sanduíche” tentar amenizar a situação e deixar o clima mais leve, ele pode diminuir a urgência da mensagem. Além disso, pode provocar confusão, do tipo “Essa pessoa gostou ou não do que eu fiz?” dificultando que a ação negativa seja reprimida. Além disso, ele impede que o reconhecimento ou a mudança sejam feitos no timing certo. Devemos reconhecer nas hora que se precisa reconhecer e promover mudanças, na hora que se precisa modificar uma realidade. Cada um tem seu momento, fazer os dois ao mesmo tempo pode trazer a sensação de que algum dos dois é falso.

Fora isso, existe mais um equívoco na situação exemplificada acima. Conseguiu identificar? É o uso de elementos pessoais na conversa através dos elogios, que são diferentes de reconhecimentos.

O reconhecimento sempre gira em torno de comportamentos profissionais que o indivíduo demonstrou, que contribuíram para o ambiente de trabalho. Por isso, está sempre atrelado ao Reforço Positivo (termo emprestado da Psicologia Behaviorista de Skinner), ou seja, algo  que se transforma em estímulo para que seja sempre realizado.

Em contraposição, o que os elogios pessoais poderiam trazer? Confusão. Se o elogio é para as roupas, a pessoa passa a se vestir da mesma forma; Se o elogio é para o cabelo, ela começa a arrumá-lo da mesma forma; Se o elogio é para o sorriso ou a presença, ela passa a se pressionar para sempre se apresentar assim. Talvez esses elogios auxiliem na afinidade entre o ouvinte e as pessoas que fazem os elogios, mas a não ser que esses elementos sejam importantes para a empresa (casos de cargos comerciais, ou que trabalhem com mídias para o público…) de que forma isso auxiliaria na produtividade, autonomia ou no foco em resultados?

De que forma?

Forma é a chave!

Como dizia McLuhan (1974), educador e filósofo, “O meio é a mensagem”!

Essa é uma das máximas que mais ecoam nas teorias da Comunicação. E como falar de Feedback sem falar de Comunicação?

Segundo o consagrado McLuhan, a forma com que a mensagem é transmitida também faz parte da própria mensagem (por vezes até a ofusca), pois a forma também informa. A forma com que nos comunicamos também comunica.

Para ficar mais palpável é só imaginar as seguintes situações:

  1. Uma pessoa lhe dá um forte aperto de mão, sorri e lhe diz: “Boa sorte!”

Qual é a sensação? De confiança ou esperança, correto?

  1. Uma pessoa cruza os braços, franze as sobrancelhas e lhe diz: “Boa sorte!”

Muito pior não é? A sensação é de deboche, desconfiança, raiva e assim por diante,

As mesmas palavras foram utilizadas. A diferença está na forma, ou seja no meio. Sendo assim, é extremamente importante definir qual meio comunica a mensagem da maneira que você deseja que seja compreendida, pois receptor e emissor têm experiências de compreensão do mundo diferentes.

Luhmann (1971), traz o termo “Sistema Autopoiético”, que significa “Sistema de autocriação”. A Teoria dos Sistemas de Luhmann defende que as organizações, ou até simples reuniões de pessoas, são Sistemas Sociais (com agentes internos e externos) que se bastam, mas que, como células, se relacionam o meio externo através de trocas.

Feedback é troca, Feedback é retroalimentação. Receber um Feed é alimentar-se de algo diferente/novo que seja externo para contribuir com o interno, e assim adaptar-se ao meio.

Se o objetivo do feedback é sempre contribuir, então pode-se dizer que todo Feedback é positivo.

Sendo assim, toda vez que você precisar passar um feedback, pense no desenvolvimento positivo que aquilo precisa trazer para o receptor, que em consequência trará sempre algo positivo para o projeto/trabalho/empresa. imagem blog 22-11

 

Escrito por: Priscila Sobral

Líder de Projetos – AD&M Consultoria Empresarial

REFERÊNCIAS:

LUHMANN, Niklas. A improbabilidade da comunicação: teoria dos sistemas, teoria evolucionista e teoria da comunicação. Seleção e apresentação de João Pissarra. Belo Horizonte – MG: Editora Vega Limitada, 1971

MCLUHAN, Marshal. Os meios de comunicação como extensões do homem. Editora Cultrix, 1979.

Deixe uma resposta