Você REALMENTE sabe utilizar o MVV?

Você realmente entende a utilidade do MVV para uma empresa? O MVV, sigla para Missão, Visão e Valores, está presente nas diretrizes de grande parcela das empresas atuais. Por isso, há quem considere sua formulação apenas mais um clichê do mundo administrativo, pronto para ser esquecido nas gavetas do escritório ou nos quadros da empresa.

Por serem conceitos já com bastante exposição, buscaremos relembrá-los de forma concisa através das seguintes perguntas:

Missão: Qual a razão da existência da empresa?

Visão: Qual o espaço no mercado que a empresa quer ocupar no futuro?

Valores: Sobre quais princípios a empresa sustenta sua missão e busca alcançar sua visão?

Observando o significado do MVV, é compreensível a dificuldade que muitos têm de enxergar a utilidade de sua construção. Além de suas significações serem subjetivas, a força que o MVV pode fornecer através das palavras pode inicialmente fazer muitos verem sua utilidade apenas para fins como gestão e motivação interna dos funcionários, ou para justificar as ações da empresa para com seu público-alvo. Assim, é fácil ver sua construção como dependente apenas das palavras certas para agradar os colaboradores e a comunidade, sem qualquer outra necessidade de aplicação. Mas então, como essas simples palavras podem afetar a competitividade da empresa? Porque esse conceito recebe tanta exposição?

Sendo objetivo, a resposta mais próxima que podemos fornecer é a que de fato! Simples palavras não alteram o rumo de uma organização.

O MVV de uma empresa demonstra a extensão de sua utilidade quando começa a ter papel preponderante nas tomadas de decisões da empresa. Ou seja, se cada decisão da empresa buscar ser aprovada apenas se a tornar mais perto de sua visão, responder sua missão e estar de acordo com seus valores.

Um leitor atento pode se perguntar: “Mas isso implicaria que uma decisão teria de ser refutada caso não estivesse de acordo com o MVV, mesmo que pudesse ser benéfica para minha empresa no curto prazo?”

Sim, ela deveria ser evitada ao máximo! Com isso, no longo prazo, o MVV da empresa começaria a se tornar presente também no posicionamento que ela se encontrará no mercado. Pode vir a parecer, caso enfrente esse problema de forma prática, que negar alguma possibilidade por conta do MVV da empresa possa ser bobeira. Mas se a organização tomar atitudes não condizentes ao longo prazo, seja por contextos momentâneos ou por diferentes gestões, ela correrá o risco de se tornar uma empresa de meio-termo. E não precisaremos instigar o problema que isso pode gerar, visto que Porter já o fez em seu clássico livro Vantagem Competitiva:

“Uma empresa que está no meio termo só terá lucros atrativos (…) se a empresa tiver a sorte de ter concorrentes que também estejam no meio termo. A maturidade da indústria (…) expõe estratégias mal elaboradas arrastadas pelo rápido crescimento”. (Porter, 1985)

Em um mundo interligado, assim como em um nível de competição onde muitos fatores podem influir no curto e médio prazo, a organização precisa passar por inúmeras transformações para conseguir se manter adaptado ao mercado atual. Diferentes gestões políticas, oportunidades e ameaças podem fazer com que decisões com distintos propósitos sejam cogitadas dentro da empresa. No centro de tudo isso, o MVV dita a essência que a empresa deve manter e buscar no futuro da organização. Jeff Bezos (CEO da Walmart), talvez tenha resumido de melhor forma: O MVV é o pilar que fornece a base do que não irá mudar no comportamento e na estratégia da empresa.

Logo, em sua construção, esse pilar deve ser pensado não como palavras agradáveis para serem simplesmente ditas, mas como a base de onde as atitudes da empresa deverão ser derivadas. Assim, perceba que o MVV pode assumir diferentes ambições. Pode ser que o objetivo desejado para uma organização não siga metas de buscar sempre aumentar a qualidade de seu atendimento, ou o conforto do cliente. Pode ser que busque competir por outras formas.

Cada caso é um caso, e é interessante, para entender o resultado prático, buscar exemplos de empresas que sejam referência em seus setores. Seja priorizando o baixo custo, como a missão da Walmart. Seja priorizando a diferenciação, como a Kopenhagen, que estabeleceu sua missão não como a de simplesmente vender chocolates, mas a de presentear. Seja observando os valores fundamentais do Itaú, que sustentam sua missão e sua visão.

Missão da Walmart:

Vendemos por menos para as pessoas viverem melhor!” (WALMART).

Missão da Kopenhagen:

“(…) fabricar produtos de altíssima qualidade (…) oferecendo as melhores lojas, o melhor atendimento e o melhor produto para consumir e presentear” (KOPENHAGEN).

Valores do Banco Itaú:

Só é bom para a gente, se for bom para o cliente; Simples. Sempre; Fanáticos por performance; Pensamos e agimos como donos; Gente é tudo para gente; Ética é inegociável; O melhor argumento é o que vale” (ITAÚ).

Observe como o posicionamento dessas empresas definitivamente derivaram dessas bases. A Walmart é a líder de custos em seu setor, priorizando para isso decisões que abaixem o custo de seus serviços em detrimento de outras que pudessem, por exemplo, aumentar a qualidade de seus serviços.

A Kopenhagen por sua vez, vende grande parte de seus chocolates em embalagens já preparadas com formato de presente e suas lojas são focalizadas em shopping centers. (Andion, Fava, 2002). Assim, seus custos são superiores mas ela busca alcançar outros valores e público-alvo que a permita cobrar um preço-bônus maior por seus produtos ofertados, evitando competir diretamente com empresas como a Lacta e a Nestlé.

Por fim, o Itaú é uma empresa que busca sempre incentivar uma cultura interna de meritocracia e de foco por resultados, fomentando decisões e implementações que busquem esse objetivo. É reconhecidamente uma empresa destaque nesses critérios.

Essas empresas, dentre outras, buscaram alcançar uma identidade em mercados já maturados, contando para isso com decisões consistentes que pudessem gerar a estratégia competitiva derivada de seu MVV.

Assim, se você estiver pensando em missões, visões e valores alguma vez já vistos em quadros e manuais de uma organização mas não sentidos, lembre-se. Palavras não transformam. Atitudes, sim. Podemos, portanto, finalizar com outra citação de Porter.

“Ser ‘tudo para todos’ é uma receita para a mediocridade estratégica e para um desempenho abaixo da média, pois normalmente significa que uma empresa não tem absolutamente qualquer vantagem competitiva.”

Nesse contexto, permanecer firme ao MVV da empresa tanto nas decisões operacionais, como nas estratégicas e gerenciais pode ser a chave para que a empresa se candidate a conquistar um espaço sólido no mercado.

Quer saber como fazer isso? É só clicar no botão abaixo!

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Bibliografia e publicações recomendadas:

PORTER, M. Vantagem Competitiva, 1985.

ANDION, M; FAVA, R. Planejamento estratégico. Coleção Gestão Empresarial, 2002.

SENDIN, T. Itaú Unibanco é destaque em carreira e reconhecimento. Exame, 2013. Acesso em <https://exame.abril.com.br/carreira/itau-unibanco-e-destaque-em-carreira-e-reconhecimento/>.

Sherman, L. Corporate Mission Statements Don’t Really Matter, Unless You Want To Be A Great Leader. Forbes, 2017. Acesso em: <https://www.forbes.com/sites/lensherman/2017/04/03/corporate-mission-statements-dont-really-matter-unless-you-want-to-be-a-great-leader/#6a4819c22463>.

WALMART. Disponível em: <https://www.walmartbrasil.com.br/sobre/missao-e-valores/>. Último acesso em 05 Maio 2018.

KOPENHAGEN. Disponível em: <http://www.kopenhagen.com.br/missao-visao-e-valores/>. Último acesso em 05 Maio 2018.

ITAÚ. Disponível em: <https://www.itau.com.br/sobre/quem-somos/cultura-corporativa/>. Último acesso em 05 Maio 2018.

Criado por: Marcelo Portela

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